Beleléu

domingo, setembro 24, 2006

Ah, o passado...

Conheço um monte de gente que lamenta não ter vivido na década de 1960. Alguns lamentam não terem visto nenhum show do hendrix, beatles, nirvana... Mas, como bem disse meu amigo Vagner, nós hoje temos a vantagem de absorver as coisas do passado com muito mais facilidade. Por exemplo, será que hoje não existem boas bandas, filmes, revistas, peças de teatro? Será que quando os Beatles lançaram o primeiro compacto, automaticamente todas as rádios se converteram ao Rock e passaram a executar boas músicas? E quando Godard lançou Acossado, todos os cinemas se tornaram cults, exibindo filmes “intelectualóides” ? Essa visão de que as coisas do passado é que são boas, além de ser romântica e retrógrada, mostra o quanto somos acomodados.
Ora, porque eu fico em casa ouvindo meus LPs velhos achando que não tem nada de novo ao invés de pesquisar novas bandas, ou melhor, porque eu mesmo não monto uma e tento mudar a cena?
“Ah, que época boa era aquela em que os jornais publicavam bons cronistas...” E você com seus textos guardados na gaveta...
A verdade é que todo mundo reclama, diz que o mundo está tedioso, que não tem nada pra fazer. Só que hoje, em pleno século 21, temos muito mais recursos do que no passado. Antigamente se gravava demos em Fita cassete, as bandas mal tinham uma guitarra (Gianinni era coisa de Playboyzinho), publicar um livro só se fosse com um mimeógrafo e olhe lá... Pra arrumar um simples Lp, vc tinha que economizar muita merenda da escola, já que este era um artigo caro. Hoje vc baixa álbuns inteiros na Internet, publica seus textos em blog e qualquer estúdio te permite gravar com um equipamento razoável...
Dia desses conversando com meu amigo Maurício, do Sebo Baratos da Ribeiro (que talvez você tenha ouvido falar mas não conheça por acomodação), constatamos uma coisa que também acontece na loja que eu trabalho. Nós dois criamos eventos gratuitos dentro dos sebos, geralmente são shows, palestras, leitura de poesia, exibição de filmes, etc. As pessoas adoram, elogiam, incentivam, mas, por algum motivo, não freqüentam a loja. A idéia dos eventos é apresentar novos talentos, criar um novo point (ele no Rio, eu em Mato Grosso do Sul), até mesmo apresentar pessoas e ver se elas fazem algo em conjunto, visto que no Brasil as coisas só funcionam em bando. Porém, as pessoas aparecem nos eventos e tchau, até um dia...
Aí eu penso: será que realmente não está acontecendo nada? O que eu e você estamos fazendo pra mudar isso?

domingo, setembro 10, 2006

Sem título

Épico, estou sendo épico
e não ético como queriam alguns,
preocupados se estou fantasiado de mendigo,
se meus pensamentos infectarão ou não suas idéias.

Não estou pulverizado por Anthrax
nem minha carne contém lepra,
mas, ferido, tenho auto-regeneração
sobrevivo enquanto outros se preocupam em viver.

Uso meu sorriso como arma,
como redoma que me protege do contágio.
Enquanto isso, as bombas surgem como estrelas
atreladas ao céu como seu rosto no mar
no dia do meu renascimento,
no dia que a brisa voltou a me tocar.

Outros manifestos virão

Desde cedo escrevo, influenciado por buzinas, músicas, choro de bebês, gritos, tiros, ruídos internos, teclas da máquina, computador,
Qualquer tipo de barulho me agrada, mas nem todo tipo de escrita me prende. Sou muito mais amigo dos sons que das letras, já que letras e palavras me ferem, seja quando quero lapidá-las, seja quando as enxergo ou ouço. Um dia minha visão se extinguirá, mas ainda terei o tato e a audição, isso caso algo não perfure de vez minha mente já bastante perfurada.
Sou contra qualquer tipo de acomodação e o próprio fato de se criar uma antologia, uma coletânea de melhores obras de cada autor, me soa como uma forma de acomodação. Sejamos sim radicais, contestadores, suicidas até, mas jamais acomodados! O ar, o tempo, catástrofes, nada terá piedade de devastar sua obra, mas se esta for eternizada de alguma maneira, sua pena não terá se movimentado em vão. Nada pior que um cadáver que desaparece sem registro na história.
Mas mesmo a história mente, a filosofia mente, a poesia mente, tudo mente, a cada instante escutamos e lemos milhares de mentiras, mesmo esse texto soa como mentira, como uma farsa, como uma grande bobagem bêbada e redundante.

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